FIQUE POR DENTRO DA TECNOLOGIA 4G

Uma tecnologia ainda cara, compatível com poucos celulares e disponível apenas em certos bairros de algumas cidades do País. É nesse cenário que começa a funcionar no Brasil a quarta geração de tecnologias de telefonia móvel (4G), uma aposta que tende a melhorar a velocidade do serviço de internet móvel – isto é, a conexão usada nos smartphones e tablets. O cronograma definido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dá um prazo até amanhã para que as operadoras de celular comecem a operar suas redes 4G nas seis cidades que vão sediar a Copa das Confederações entre 15 e 30 de junho. Algumas empresas como Claro e Oi já se adiantaram ao prazo limite e começaram a vender o serviço para os consumidores. Na semana passada, a Claro inaugurou sua rede também na cidade de São Paulo – que não sediará o evento esportivo em junho, assim como Curitiba e Porto Alegre, que também começaram a ser atendidas pela operadora antes do cronograma oficial. Até sexta-feira, Vivo e TIM não tinham divulgado os valores dos seus planos 4G e as cidades cobertas, o que deve ser anunciado nesta semana. Inicialmente, poucas pessoas terão acesso à nova tecnologia. Apenas smartphones compatíveis captam o sinal e existem 11 modelos homologados (autorizados) no País com a tecnologia 4G. O mais barato deles é encontrado no varejo por R$ 1.240, sem descontos de operadoras. Já os consumidores que compraram celulares 4G nos Estados Unidos (como o iPhone 5) não vão se beneficiar da conexão que pode ser até dez vezes mais rápida do que o 3G. Isso ocorre porque a frequência adotada nos EUA – e em muitos outros países – é diferente da que opera no Brasil. Além disso, a instalação da infraestrutura está em fase inicial. A Anatel exigiu a cobertura de pelo menos 50% da área dos municípios com a nova tecnologia e, por enquanto, o 4G está disponível em apenas alguns bairros. O Link usou um celular 4G da Claro na semana passada em parte das zonas norte e oeste de São Paulo e não encontrou o sinal de quarta geração nesses locais. “A tecnologia ainda é nova, está sendo testada e a cobertura é baixa. Existe o risco de o usuário ter uma experiência de uso ruim, mas as operadoras têm que lançar porque têm as obrigações”, diz a analista Marceli Passoni, da consultoria Informa Telecoms & Media. “A partir do próximo ano, as empresas devem migrar os usuários mais ativos para a rede 4G, mas a tecnologia ainda vai ser adotada pelos consumidores em larga escala. Isso vai ocorrer em 2015 ou 2016.” Segundo ela, o alto preço do serviço contribui para que o 4G atraia poucos consumidores nesta primeira fase de instalação. A consultoria estima que o Brasil tenha 930 mil assinantes de serviços 4G até o fim do ano. O número é pequeno comparado aos 264 milhões de linhas móveis ativas no País – das quais 61,3 milhões são celulares com tecnologia 3G. Relatório da Anatel de março registrava 14 mil aparelhos 4G ativos no Brasil. Mas a previsão é que a quarta geração cresça muito nos anos seguintes. Em 2017 a quantidade de linhas ativas pode chegar a 28 milhões, segundo a Informa. Para Erasmo Rojas, diretor para América Latina da 4G Americas – associação da indústria de celulares –, as operadoras têm de usar o tempo antes da Copa das Confederações e da Copa do Mundo no Brasil para testar a rede e, assim, oferecer um serviço de boa qualidade. “A tecnologia vai funcionar. A questão é se vai haver capacidade e cobertura suficientes para garantir o funcionamento não só nos estádios, mas também no uso diário”, diz. “É importante que essa experiência em junho seja bem feita para que os brasileiros não tenham a mesma dúvida que hoje têm em relação ao 3G e que a 4G seja uma rede em que se possa confiar.”

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